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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Em qualquer cais

Não te canso de esperar, Amor,
Mesmo se te não espero
Nesta vida gasta e vã

Sinto-te aninhado a meu lado
A ofereceres o peito calado
Numa ausência já prevista

Talvez fosse hora de não esperar
De desesperançar da hora tardia
Conhecer o sabor do dia

De uma manhã que raiou fria
Filha da noite sem calma
Em hora fugidia

Não te canso de esperar, Amor,
Neste inverno que é a vida
Nem em cada despedida

E  se o dia se renova
A espera feita treva
Traz esperança luminosa

Nesse nada feito ausência
A correr para o vazio
Vaga a vida como um fio

Não te canso de esperar, Amor,
Nem que leve duas vidas
Num navio encalhado

À espera em qualquer cais




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