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sábado, 22 de novembro de 2025

Crónica de Maus Costumes 443

 

Ideias de jerico

            Quem nunca teve ideias luminosas, que depois de executadas se percebe que só podem ter sido sopradas ao ouvido por Belzebu, atire a primeira pedra!

Eu tenho algumas e faço o impensável: sei que pode correr mal, mas ainda assim ponho em prática… Já aconteceu duas vezes e não há duas sem três e não adianta jurar que não volto a incorrer na asneira, porque sei que basta que as circunstâncias conspirem e zás! Lá estou eu novamente… Há quem abane a cabeça e chame de teimosia, mas eu prefiro dizer que é … Técnica de aperfeiçoamento…

Não aprecio muito ir à cabeleireira nem a salões de estética. Aborrece-me ter de telefonar para marcar. Sei lá… Não me apetece falar para isso. Ando constantemente a dizer para mim mesma que preciso de ligar, mas nunca me apetece fazê-lo e o tempo vai passando e eu vou procrastinando…

 Entedia-me o tempo gasto nesses locais… Falta-me a paciência e dá-me cabo dos nervos. Ponho-me a pensar no que poderia estar a fazer naquela 1h30 que para ali estou. Um desperdício! Que rica caminhada faria e mais proveitosa!

Quando a falta de tempo aperta, por obrigações profissionais, tudo se torna pior e sou obrigada a fazer escolhas. O cabelo não se compadece com alturas ocupadas e há momentos em que uma mulher se põe a olhar e aquilo… Bem… Já lhe começa a meter ranço… Dita o juízo que se ligue e se marque uma hora na cabeleireira e pronto. Ficaria resolvido. No entanto, esta alminha, lembra-se que até pode ir buscar a tinta e fazer o procedimento em casa e, enquanto, a tinta está no cabelo, até se pode ir fazendo outras coisas! Muito prático, pois claro… Seria muito prático, se a cor que a nossa cabeleireira faz existisse prontinha… Porém… Não acontece exatamente assim e vamos arriscando…

Mulheres! Tenham cuidado com os acobreados! Garanto-vos que já consegui ficar rosa, laranja e ruiva mais escura. Pois… Desta vez foi ruiva… E atrevi-me dois dias, mas aquela mulher não era eu e nem a Nina que tão bem conheço! E a esta altura já se estão a questionar … Foi à cabeleireira arranjar o que estragou… Pois claro que não! Não ia arriscar ouvir sermão da minha cabeleireira que já deve andar pelos cabelos das invenções ranhosas que vou arranjando… Nem pensar! Já sabem que a única pessoa que nos manda baixar a cabeça e a gente obedece é, precisamente, a cabeleireira! Não senhor! A Internet também serve para coisas boas e lá aprendi que os verdes e os azuis, por serem do espectro oposto cortam os vermelhos e que uma tinta clara que diga cinza ou mate mitiga o problema. Ufa! Safei-me do ruivo… Mais ou menos… O acobreado lá está, mas a coisa está mais aproximada do que tinha e dá para o gasto…

Agora… Tranquilamente, deixarei passar esta fase ruim e quando estiver mais desafogada e a tinta já mais desbotada, prometo-me que lá vou ao salão e se a Zeza estranhar, eu lá direi que… Enfim… Tive de meter uma coisita caseira a meio para arranjar as raízes por falta de tempo, mas que foi uma cor aproximada, mas que sempre é melhor ir lá retificar bem aquilo. Placidamente, ela fingirá acreditar, enquanto me separa as mexas e vê os acobreados que considerará mitigar, que ela é que sabe o que põe a mais ou menos para o resultado ser decente, enquanto pensa com os seus botões que já andei a inventar, mais uma vez, e que espero que ela arranje o que eu mesma andei a arruinar… Mas também… Vá lá… É só cabelo! Já que lá vou menos vezes do que o desejável, dar-lhe um bocadinho mais que pensar não fará assim tão mal…

Em casa, os filhos abanam a cabeça e já me dizem… Já estás a inventar outra vez. Na segunda, perante os comentários da canalha, que nunca deixa escapar nada, vão-me dizer: “a stôra pintou o cabelo, outra vez!”. Serenamente, responderei: “a outra era a base que precisei de fazer para chegara a esta.” Assunto encerrado durante dois meses, até à próxima tentativa, quer dizer… Ida à cabeleireira…

 

Nina M.

 

 

 

 

 

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