Ideias de jerico
Quem nunca teve ideias luminosas, que
depois de executadas se percebe que só podem ter sido sopradas ao ouvido por
Belzebu, atire a primeira pedra!
Eu tenho algumas e faço o impensável:
sei que pode correr mal, mas ainda assim ponho em prática… Já aconteceu duas
vezes e não há duas sem três e não adianta jurar que não volto a incorrer na
asneira, porque sei que basta que as circunstâncias conspirem e zás! Lá estou
eu novamente… Há quem abane a cabeça e chame de teimosia, mas eu prefiro dizer
que é … Técnica de aperfeiçoamento…
Não aprecio muito ir à cabeleireira
nem a salões de estética. Aborrece-me ter de telefonar para marcar. Sei lá… Não
me apetece falar para isso. Ando constantemente a dizer para mim mesma que
preciso de ligar, mas nunca me apetece fazê-lo e o tempo vai passando e eu vou
procrastinando…
Entedia-me o tempo gasto nesses locais…
Falta-me a paciência e dá-me cabo dos nervos. Ponho-me a pensar no que poderia
estar a fazer naquela 1h30 que para ali estou. Um desperdício! Que rica
caminhada faria e mais proveitosa!
Quando a falta de tempo aperta, por obrigações
profissionais, tudo se torna pior e sou obrigada a fazer escolhas. O cabelo não
se compadece com alturas ocupadas e há momentos em que uma mulher se põe a
olhar e aquilo… Bem… Já lhe começa a meter ranço… Dita o juízo que se ligue e
se marque uma hora na cabeleireira e pronto. Ficaria resolvido. No entanto,
esta alminha, lembra-se que até pode ir buscar a tinta e fazer o procedimento
em casa e, enquanto, a tinta está no cabelo, até se pode ir fazendo outras
coisas! Muito prático, pois claro… Seria muito prático, se a cor que a nossa
cabeleireira faz existisse prontinha… Porém… Não acontece exatamente assim e
vamos arriscando…
Mulheres! Tenham cuidado com os
acobreados! Garanto-vos que já consegui ficar rosa, laranja e ruiva mais
escura. Pois… Desta vez foi ruiva… E atrevi-me dois dias, mas aquela mulher não
era eu e nem a Nina que tão bem conheço! E a esta altura já se estão a questionar
… Foi à cabeleireira arranjar o que estragou… Pois claro que não! Não ia
arriscar ouvir sermão da minha cabeleireira que já deve andar pelos cabelos das
invenções ranhosas que vou arranjando… Nem pensar! Já sabem que a única pessoa
que nos manda baixar a cabeça e a gente obedece é, precisamente, a cabeleireira!
Não senhor! A Internet também serve para coisas boas e lá aprendi que os verdes
e os azuis, por serem do espectro oposto cortam os vermelhos e que uma tinta
clara que diga cinza ou mate mitiga o problema. Ufa! Safei-me do ruivo… Mais ou
menos… O acobreado lá está, mas a coisa está mais aproximada do que tinha e dá
para o gasto…
Agora… Tranquilamente, deixarei
passar esta fase ruim e quando estiver mais desafogada e a tinta já mais
desbotada, prometo-me que lá vou ao salão e se a Zeza estranhar, eu lá direi
que… Enfim… Tive de meter uma coisita caseira a meio para arranjar as raízes
por falta de tempo, mas que foi uma cor aproximada, mas que sempre é melhor ir
lá retificar bem aquilo. Placidamente, ela fingirá acreditar, enquanto me
separa as mexas e vê os acobreados que considerará mitigar, que ela é que sabe
o que põe a mais ou menos para o resultado ser decente, enquanto pensa com os
seus botões que já andei a inventar, mais uma vez, e que espero que ela arranje
o que eu mesma andei a arruinar… Mas também… Vá lá… É só cabelo! Já que lá vou menos
vezes do que o desejável, dar-lhe um bocadinho mais que pensar não fará assim
tão mal…
Em casa, os filhos abanam a cabeça e
já me dizem… Já estás a inventar outra vez. Na segunda, perante os comentários
da canalha, que nunca deixa escapar nada, vão-me dizer: “a stôra pintou o
cabelo, outra vez!”. Serenamente, responderei: “a outra era a base que precisei
de fazer para chegara a esta.” Assunto encerrado durante dois meses, até à
próxima tentativa, quer dizer… Ida à cabeleireira…
Nina M.
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