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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Desajuste

Não pertenço.

Nunca pertenci totalmente a nada.

Nunca coube por completo em lugar algum.


​Às vezes, sobra um espaço imenso:

miúdo perdido dentro das calças 

de um pai.

Às vezes, encolho-me.

O espaço é exíguo e escuro,

mesmo se é dia ao ar livre.

De volta à casa, a mim,

estico os braços, deito-me,

estico-me toda.


Quase a sentir cãibras na barriga

 das pernas.

Tensionar o corpo por segundos

para expirar de seguida.

Um profundo suspiro

até encostar as costelas aos pulmões.

Sinto a realidade do corpo.

O espaço onde me caibo.


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