Não pertenço.
Nunca pertenci totalmente a nada.
Nunca coube por completo em lugar algum.
Às vezes, sobra um espaço imenso:
miúdo perdido dentro das calças
de um pai.
Às vezes, encolho-me.
O espaço é exíguo e escuro,
mesmo se é dia ao ar livre.
De volta à casa, a mim,
estico os braços, deito-me,
estico-me toda.
Quase a sentir cãibras na barriga
das pernas.
Tensionar o corpo por segundos
para expirar de seguida.
Um profundo suspiro
até encostar as costelas aos pulmões.
Sinto a realidade do corpo.
O espaço onde me caibo.
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