“We shall never surrender” (Winston Churchill)
Hoje,
é dia de reflexão, pelo que não se deve abordar a temática a das presidenciais.
Não falarei sobre qualquer candidato, mas abordarei o facto de muita gente, nestas
eleições, se mostrar indecisa até à última hora. Li e ouvi vários testemunhos
de que não sabem em quem hão de votar e que nunca se viram nesta situação.
Parece haver muita gente que não gosta, particularmente, de nenhum candidato e,
portanto, não se conseguem decidir e arrastam a decisão para a boca das urnas.
Pus-me a
pensar sobre as razões, sobre os possíveis motivos de não haver nenhum
candidato que apaixone, entusiasme e congregue como em outros atos eleitorais. Muitos
estarão lembrados da mítica segunda volta entre Mário Soares e Freitas do
Amaral, em 1986. Eu tinha 11 anos e lembro-me da campanha acesa que incendiou o
país. Na primeira volta, a preocupação de Mário Soares foi bater o PCP, que tinha
uma forte base de apoio, na altura, num país recém-nascido de uma ditadura
fascista, com sucessivos governos de curta duração e uma crise económica
instalada. A esquerda mais radical lá teve de engolir o sapo e apoiar Mário
Soares. A única alternativa que lhe restava para retirar a presidência a Freitas
do Amaral. Soares passou de um discurso anticomunista, na primeira volta, para
um discurso antifascista, na segunda. Polarizou, portanto, o cenário político.
A bordoada que levou na Marinha Grande santificou-o e Soares saiu vencedor.
Para uns, “Soares é fixe” e quem apoiava Freitas, automaticamente, respondia: “e
a malta que se lixe.”
Olha-se para
estes dois nomes, mas poderiam ser citados outros, o de Jorge Sampaio ou de Cavaco
Silva, independentemente das simpatias ou antipatias de cada um, e via-se estes
seres como dinossauros políticos. Esta é uma das razões para a falta do agrado
geral em relação aos candidatos atuais. Por alguma razão, e creio que será mais
do domínio do emocional, as pessoas não veem carisma nos líderes que se
prontificaram a cumprir a nobre missão de serem o presidente dos portugueses.
Olho para a questão e parece-me, ainda, resquícios de um sebastianismo mítico,
de um espírito messiânico que se nos entranhou. Estamos sempre à espera de um
messias que nos há de salvar e elevar o bom nome da bandeira. Um homem que seja
capaz de acreditar num futuro melhor e que com a sua ação, quiçá espécie de
magia, nos retire do marasmo. Na verdade, não pretendemos um presidente,
queremos um super-herói à maneira de um super-homem e que nem sequer definhe
com a exposição à “Kryptonite”!
Esquecemo-nos
que, tal como na maioria dos ofícios, não será necessária uma aura particular. Bastará,
antes de qualquer outra coisa, que seja um bom ser humano. O coração deve estar
no sítio certo e deverá ter sensibilidade social; convém que seja íntegro e
honesto e que perceba minimamente da poda, isto é, que seja competente e
equilibrado. Entre a competência exímia e a bondade intrínseca, esta última é
fundamental. A competência pode ser desenvolvida e aprendida, já a bondade é
preciso que faça parte dos genes. Tudo o resto é acessório e mais ao gosto de A
ou de B. Se é risonho e popular como o professor Marcelo ou austero como Cavaco
ou institucional como Sampaio, já depende do gosto de cada um. Eu confesso que
não aprecio nada vê-los em bailaricos! Não é que não tenham esse direito como
qualquer outra pessoa, mas aquilo soa a falso como Judas… Exceto se for o
presidente Marcelo… Esse pode tudo, porque é para o lado que se lembra… A
diferença é que lhe é genuíno e, portanto, ninguém estranha…
Eu não quero
nada com a política, mas não podia andar nestas lides… Ter de andar nas feiras
e mercados, bailinhos e bailados e beijocar velhinhas e velhinhos brejeiros a
todo o instante!... Deus me livre e guarde! E eu até sou de abraços, mas sou
seletiva!
Creio haver
uma certa injustiça cair no erro de comparar candidatos. Os tempos são outros e
muitos dos grandes homens que designamos foram feitos pelas circunstâncias, com
o mérito de terem sabido estar à altura. Assim se imortalizaram Winston Churchill
e Charles de Gaulle, por exemplo. Os tempos exigiram e eles compareceram. Faz
falta um destes, na Europa, na verdade… Talvez devamos recuperar o slogan de
Churchill “We shall never surrender!” e esfregá-lo na cara do Trampas, do
Trump, perdão, mediante as suas novas ameaças com as tarifas por recusarmos a
compra da Groenlândia…
Certo é que
com mais ou menos carisma, os candidatos são muitos e a oferta variada. Não
será por falta de candidatos que haverá grande abstenção, se a houver. Tendes,
ainda, até amanhã, para vos decidirdes. O meu candidato está escolhido há algum
tempo, peso, conta e medida.
Ide às urnas
e votai em consciência. Bom domingo.
Nina M.
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