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sábado, 17 de janeiro de 2026

Crónica de Maus Costumes 451

 “We shall never surrender” (Winston Churchill)

            Hoje, é dia de reflexão, pelo que não se deve abordar a temática a das presidenciais. Não falarei sobre qualquer candidato, mas abordarei o facto de muita gente, nestas eleições, se mostrar indecisa até à última hora. Li e ouvi vários testemunhos de que não sabem em quem hão de votar e que nunca se viram nesta situação. Parece haver muita gente que não gosta, particularmente, de nenhum candidato e, portanto, não se conseguem decidir e arrastam a decisão para a boca das urnas.

            Pus-me a pensar sobre as razões, sobre os possíveis motivos de não haver nenhum candidato que apaixone, entusiasme e congregue como em outros atos eleitorais. Muitos estarão lembrados da mítica segunda volta entre Mário Soares e Freitas do Amaral, em 1986. Eu tinha 11 anos e lembro-me da campanha acesa que incendiou o país. Na primeira volta, a preocupação de Mário Soares foi bater o PCP, que tinha uma forte base de apoio, na altura, num país recém-nascido de uma ditadura fascista, com sucessivos governos de curta duração e uma crise económica instalada. A esquerda mais radical lá teve de engolir o sapo e apoiar Mário Soares. A única alternativa que lhe restava para retirar a presidência a Freitas do Amaral. Soares passou de um discurso anticomunista, na primeira volta, para um discurso antifascista, na segunda. Polarizou, portanto, o cenário político. A bordoada que levou na Marinha Grande santificou-o e Soares saiu vencedor. Para uns, “Soares é fixe” e quem apoiava Freitas, automaticamente, respondia: “e a malta que se lixe.”

            Olha-se para estes dois nomes, mas poderiam ser citados outros, o de Jorge Sampaio ou de Cavaco Silva, independentemente das simpatias ou antipatias de cada um, e via-se estes seres como dinossauros políticos. Esta é uma das razões para a falta do agrado geral em relação aos candidatos atuais. Por alguma razão, e creio que será mais do domínio do emocional, as pessoas não veem carisma nos líderes que se prontificaram a cumprir a nobre missão de serem o presidente dos portugueses. Olho para a questão e parece-me, ainda, resquícios de um sebastianismo mítico, de um espírito messiânico que se nos entranhou. Estamos sempre à espera de um messias que nos há de salvar e elevar o bom nome da bandeira. Um homem que seja capaz de acreditar num futuro melhor e que com a sua ação, quiçá espécie de magia, nos retire do marasmo. Na verdade, não pretendemos um presidente, queremos um super-herói à maneira de um super-homem e que nem sequer definhe com a exposição à “Kryptonite”!

            Esquecemo-nos que, tal como na maioria dos ofícios, não será necessária uma aura particular. Bastará, antes de qualquer outra coisa, que seja um bom ser humano. O coração deve estar no sítio certo e deverá ter sensibilidade social; convém que seja íntegro e honesto e que perceba minimamente da poda, isto é, que seja competente e equilibrado. Entre a competência exímia e a bondade intrínseca, esta última é fundamental. A competência pode ser desenvolvida e aprendida, já a bondade é preciso que faça parte dos genes. Tudo o resto é acessório e mais ao gosto de A ou de B. Se é risonho e popular como o professor Marcelo ou austero como Cavaco ou institucional como Sampaio, já depende do gosto de cada um. Eu confesso que não aprecio nada vê-los em bailaricos! Não é que não tenham esse direito como qualquer outra pessoa, mas aquilo soa a falso como Judas… Exceto se for o presidente Marcelo… Esse pode tudo, porque é para o lado que se lembra… A diferença é que lhe é genuíno e, portanto, ninguém estranha…

            Eu não quero nada com a política, mas não podia andar nestas lides… Ter de andar nas feiras e mercados, bailinhos e bailados e beijocar velhinhas e velhinhos brejeiros a todo o instante!... Deus me livre e guarde! E eu até sou de abraços, mas sou seletiva!

            Creio haver uma certa injustiça cair no erro de comparar candidatos. Os tempos são outros e muitos dos grandes homens que designamos foram feitos pelas circunstâncias, com o mérito de terem sabido estar à altura. Assim se imortalizaram Winston Churchill e Charles de Gaulle, por exemplo. Os tempos exigiram e eles compareceram. Faz falta um destes, na Europa, na verdade… Talvez devamos recuperar o slogan de Churchill “We shall never surrender!” e esfregá-lo na cara do Trampas, do Trump, perdão, mediante as suas novas ameaças com as tarifas por recusarmos a compra da Groenlândia…

            Certo é que com mais ou menos carisma, os candidatos são muitos e a oferta variada. Não será por falta de candidatos que haverá grande abstenção, se a houver. Tendes, ainda, até amanhã, para vos decidirdes. O meu candidato está escolhido há algum tempo, peso, conta e medida.

            Ide às urnas e votai em consciência. Bom domingo.

 

Nina M.

 

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