Uma paixão maior a bem da sanidade
O mundo está louco e a
responsabilidade é, sobretudo, dos líderes de países militarmente e
economicamente mais poderosos.
A Rússia tem
intensificado os seus ataques a Kiev, enquanto a Ucrânia continua a pedir mais
auxílio, sobretudo no que a sistemas de defesa aérea diz respeito. A União
Europeia, como sempre, debate novas sanções e um reforço na ajuda prestada.
O Irão
confronta-se com protestos internos, com fortes críticas ao regime de Ayatollah
Khomeini e à situação económica do país. Tal como é habitual em qualquer
autocracia, o governo responde com repressão. Morreram já cinquenta manifestantes.
Esperemos que as mortes não sejam em vão e que a população consiga fazer cair o
regime por dentro. Nunca é sem sangue. Há sempre perdas de vidas quando o povo
exige que a sua voz se faça ouvir.
A tensão cresce entre a Venezuela e
os Estados Unidos e agudiza-se a crise económica. A população vê-se na
contingência de viver com os apoios fornecidos pelo governo. Para comer,
precisam da esmola do Estado ou das paróquias, há escassez de medicamentos e nos
hospitais falta tudo. O setor produtivo do país foi arruinado pelas políticas
vigentes desde o governo de Chávez, piorando substancialmente com Maduro.
Os Estados Unidos enfrentam também
debates intensos sobre a sua política externa, enquanto o doido do presidente
Trump insiste na questão da Groenlândia…
As tensões entre Israel e grupos armados na
Palestina e no Líbano continuam a fazer-se sentir…
Olhar para o mundo e encontrá-lo
desta forma deixa-nos sem palavras. O mundo podia ser um lugar tão bom para se
viver, se os homens fossem menos gananciosos, se vigorasse mais a cooperação,
com a consciência do bem comum! E eu faço sempre as mesmas perguntas: para quê?
Porquê?
Um dia, vamos todos morrer e há gente
que insiste em deixar ruínas e cinzas em vez de jardins com flores. Não há qualquer
racionalidade nisto…
Olho para o nosso quintal e observo a
cloaca a céu aberto. A campanha para as presidenciais tem-se enchido de lodo. De
entre os cinco candidatos que podem passar à segunda volta, há uma figura,
apenas, que se mantém afastado do lodaçal: António José Seguro. Os outros
chafurdam na lama como se fosse uma obrigação política atuar desta forma,
contribuindo ativamente para a polarização e desconfiança vigentes em relação
aos políticos. Lança-se a suspeição sobre os candidatos como quem bebe um copo
de água. Seguro tem a vantagem de ter estado arredado das lides políticas. O
Governo tenta lidar e lida mal com a pressão sobre o SNS. Há inúmeros problemas
para resolver, mas não é possível que não se possa fazer melhor. A principal
causa da pressão sobre o SNS é a falta de médicos. Não são mais macas nem
ambulâncias (ainda que possam ser necessárias, acredito que sim), que irão
resolver o problema. Precisamos de mais médicos no SNS, tal como precisamos de
mais professores, de mais assistentes operacionais e de mais polícias. Os
serviços públicos estão pelas ruas da amargura e ainda há que entenda que deles
pode prescindir. Só quando os problemas se escancaram, se percebe a necessidade
do capital humano. Pelo meio, há aproveitamento político óbvio, uma ministra da
saúde que não consegue agregar nem inspira confiança e um governo a não
conseguir gerir os dossiês a que se propôs. A saúde não melhorou, a falta de
professores é visível e não se veem verdadeiras medidas para sanar o problema e
a questão da habitação continua a ser uma dificuldade séria. Sem a criação de
condições para fixar o capital humano nos serviços públicos, estes degradam-se.
O problema reside no facto de o setor privado não poder substituir, totalmente,
esta prestação de serviços, porque visa o lucro. O doente deixa de ser um
paciente e um para se tornar um cliente com o qual o prestador de serviços lucra.
Na saúde, uma das hipotéticas soluções passaria por dar a possibilidade a toda
a população de usufruir da ADSE, sabendo que teriam de descontar os respetivos
3,5 % sobre o salário ilíquido de cada um. Desta forma, retirar-se-ia doentes
das urgências, deixando para os hospitais públicos as pessoas que não podem
pagar a referida taxa e os casos mais graves de saúde, que exigem um tratamento
prolongado e caro, fora do alcance até dos que têm uma situação económica
estável. Desta forma, se surgisse uma dor repentina, a pessoa já não teria
necessidade de entupir as urgências do hospital público. Nunca entendi a razão
pela qual ainda não se chegou a um pacto de regime sobre este assunto. Se a
solução se põe ante os olhos e se em vez de se tentar resolver os problemas da
população, os políticos se enredam e se perdem nas ideologias, fica o cidadão
com o problema por resolver e a Assembleia a discutir eternamente o sexo dos
anjos… Fico, demasiadas vezes, com a sensação de que os brutos que determinam
os nossos destinos só se importam com a sua partidarite e, portanto, a solução
pode ser boa, mas se vier de campos políticos opostos, já não serve. São estes
comportamentos medíocres dos deputados que geram descontentamento e desilusão,
tornando as pessoas permeáveis aos populismos e às falsas promessas de falsos
profetas.
Gostaria que Montenegro se lembrasse
que as pessoas que o elegeram votaram numa social-democracia e esta preserva e
trata bem os serviços que presta aos cidadãos, fazendo jus aos impostos que
lhes cobra. A alavancagem da economia não pode ser feita contra as pessoas, mas
antes com elas.
Perante estas tristezas internas e
externas, resta-nos refugiar naquilo que nos possa elevar a alma e tirar deste
mundo insano, nem que seja por breves instantes. Não há quem aguente viver
sempre no pragmatismo, sob pena de adoecer! Contra estas loucuras, só uma
paixão maior!
Nina M.
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