Guardas apaixonadamente
Todos os meus segredos
Sabes escutar
[E sabes que vem do latino auscultare]
E assim escutas, calado, o meu coraçãoTodos os meus segredos
Sabes escutar
[E sabes que vem do latino auscultare]
Sem estetoscópio, auscultas.
Apenas o teu gesto estreito de inclinare
O ouvido sobre mim.
Não me olhas ou observas
Sabes perscrutare
Desconfio que sondas os clássicos só para me desnudar sem esforço e com paixão.
Não me conheces, sabes-me.
O meu olhar mais terno e mais irado
Mais apaixonado e mais frio
O olhar mais apagado ou vazio
Sabes-me o sorriso. O social, o divertido, o prazeroso, o gentil, o magoado, o que oculta o insondável indizível.
Entraste e fechaste a porta.
Perdeste-a nos meus labirintos.
Nestes jardins sem bancos
Onde não é fácil repousar.
Sabes-me as mãos, os trejeitos e caretas.
O espanto, a desilusão, a alegria e a tristeza.
Alegra-te o sol cá dentro.
Aborrece-te o sol cá dentro.
Há dias nublados e de morrinha.
Diligente, és capaz de me oferecer um poema
Um reino de emoções à minha mercê
E se desconfias da sua pequenez
Inventas-me toda uma hermenêutica.
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