Nem rei nem lei, nem paz nem guerra
Portugal vê-se, novamente, a braços
com uma crise política de contornos inusitados. Alegadamente, não está em causa
a prática de ilegalidades que impugnem a confiança, segundo parece, mas antes,
questões éticas que levantam suspeições.
Considero
que, efetivamente, o primeiro-ministro se pôs a jeito, a oposição, fez o que
sabe, aproveitou as circunstâncias para fragilizar a imagem do governo e, a
partir de certa altura, todos se enredaram em estratégias políticas que culminaram
na queda do poder e com a consequente dissolução da Assembleia e a marcação de
novas eleições que ninguém desejava. O Presidente da República fez a Montenegro
o que tinha feito com António Costa, quando este pediu a sua demissão. Quer num
caso quer noutro, perante o cenário, acho que a ida a eleições é o mais
correto, porque quem votou favoravelmente aos governos, votou, essencialmente,
no seu líder. Se este se demite ou cai, então, os portugueses devem voltar a
escolher novamente o primeiro-ministro. António Costa cansou-se dos sucessivos
casos dos elementos do seu governo, com especial incidência para o último: o dinheiro
encontrado no gabinete de alguém que lhe era próximo. Montenegro terá achado
que não está para aturar os constantes ataques de que seria alvo e nem quereria
submeter os seus familiares à devassa das Comissões Parlamentares de Inquérito,
que em abono da verdade, nunca percebi para o que servem, já que os senhores
deputados não são juízes, nem a Comissão Parlamentar é um um tribunal! Servem
apenas para montar o circo mediático, num espetáculo em que o “réu” nunca se
lembra de nada e os deputados exibem dotes de advocacia e alguns deles até vêm
do ofício. Outras vezes, as CPI servem para arrancar boas gargalhadas. Já me ri
bem, certa altura, com a cara de enfado de João Galamba e as diatribes de um
deputado, que lá está, era advogado…
Sejam os motivos quais forem, tudo soa a guerras de alecrim e de manjerona, a estratégia política para angariar simpatias e ferir de morte, se possível, os opositores. Para quem está de fora e olha ao largo, tudo parece uma luta pueril entre rapazolas irresponsáveis e inconsequentes. Fica a ideia de que o senhor Presidente da República não chamou ao gabinete os dois marmanjos que mereciam um belo puxão de orelhas, atempadamente. O que irrita profundamente é a incapacidade de olharem para a conjuntura internacional com seriedade e de se deixarem de politiquices que custam caro ao país. Custará tanto assim assumirem posição de homenzinhos e olharem para o horizonte? O que vai fazer Portugal mediante a conjuntura europeia? A Alemanha já declarou o investimento na defesa, assumindo que a Europa tem de se valer por si, porque o aliado habitual eclipsou-se, pelo menos durante quatro anos. A Europa percebeu que não pode deixar a defesa da sua integridade em mãos alheias e compreendeu que a paz pela qual se pugnou e que se tem conseguido manter, desde a Segunda Grande Guerra pode terminar. Cada membro europeu terá de assumir um posicionamento. Qual será o de Portugal? Quanto implica investir na defesa? Como vai ser feito? Volta-se ao tempo da obrigatoriedade do serviço militar ou funcionará, como nos Estados Unidos em que as forças militares são bem pagas? A Europa fará também como estes em relação à produção de armamento e começará, com o conhecimento que tem, porque isso não falta por cá, a investir em produção própria?
Estas são as questões que deveriam estar a preocupar o parlamento e a serem debatidas, porque o sonho de paz perpétua no velho continente parece não ser possível num futuro próximo.
De repente, parece que o afastamento geográfico de Portugal em relação a outros países europeus o afasta também das grandes questões para se perder em minudências pouco significativas. Haja decoro, senhores! Caso para dizer como Fernando Pessoa:
Nem rei
nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Deixo aqui o acepipe só para abrir o
apetite. Ide ler Nevoeiro, o poema que encerra Mensagem, ide…
Nina M.
Sejam os motivos quais forem, tudo soa a guerras de alecrim e de manjerona, a estratégia política para angariar simpatias e ferir de morte, se possível, os opositores. Para quem está de fora e olha ao largo, tudo parece uma luta pueril entre rapazolas irresponsáveis e inconsequentes. Fica a ideia de que o senhor Presidente da República não chamou ao gabinete os dois marmanjos que mereciam um belo puxão de orelhas, atempadamente. O que irrita profundamente é a incapacidade de olharem para a conjuntura internacional com seriedade e de se deixarem de politiquices que custam caro ao país. Custará tanto assim assumirem posição de homenzinhos e olharem para o horizonte? O que vai fazer Portugal mediante a conjuntura europeia? A Alemanha já declarou o investimento na defesa, assumindo que a Europa tem de se valer por si, porque o aliado habitual eclipsou-se, pelo menos durante quatro anos. A Europa percebeu que não pode deixar a defesa da sua integridade em mãos alheias e compreendeu que a paz pela qual se pugnou e que se tem conseguido manter, desde a Segunda Grande Guerra pode terminar. Cada membro europeu terá de assumir um posicionamento. Qual será o de Portugal? Quanto implica investir na defesa? Como vai ser feito? Volta-se ao tempo da obrigatoriedade do serviço militar ou funcionará, como nos Estados Unidos em que as forças militares são bem pagas? A Europa fará também como estes em relação à produção de armamento e começará, com o conhecimento que tem, porque isso não falta por cá, a investir em produção própria?
Estas são as questões que deveriam estar a preocupar o parlamento e a serem debatidas, porque o sonho de paz perpétua no velho continente parece não ser possível num futuro próximo.
De repente, parece que o afastamento geográfico de Portugal em relação a outros países europeus o afasta também das grandes questões para se perder em minudências pouco significativas. Haja decoro, senhores! Caso para dizer como Fernando Pessoa:
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra.
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